3.4.13

O Chefe

Ô, pobre homem
quem te fez assim tão frustrado
de olhos vazios e coração calado?
Quem são os ratos que te roem?

Cuidado com o dinheiro
que desse seu jeito
ele vai te matar o corpo
E se não matar o corpo
mata a alma primeiro
é certeiro!

Mas você não precisa ter cuidado
Não, você já está engajado
Você já não olha nos olhos
quando quer bancar o sábio
Ô, pobre homem

Você me deixou desempregado
Mas tudo bem, eu arrumo trabalho
E você, arruma outros olhos
outra mulher, outra casa?
Outro caso?
E o seu filho?
Ô, homem

Hoje, você me deixou sem bebida
Mas tudo bem, tenho a sorte do meu lado
É só um bem bolado e a noite me acalma
E você, onde vai arrumar outra vida
outro corpo, outra alma?

Um comentário:

  1. Bem colocado, um poema como esse justamente na semana em que se completam 90 anos da Semana de Arte Moderna de 1922.

    Pensei nisso porque pensei em Manuel Bandeira ao ler o poema. Entre os modernistas, Bandeira foi o que uniu, em sua poesia, a revolução modernista enquanto linguagem a uma visão metafísica da vida e da cultura.

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