3.4.13

A Visita do Anjo

Do baixo das profundezas dos subterrâneos mórbidos
veio um sujeito falando do que eu devia ter feito...
Ele dizia que eu o havia criado com métodos sórdidos
mas ainda não estava me sentindo satisfeito

Então o ser, um homenzinho deformado até outro estado
declarou desse jeito o meu longo e sangrento fracasso:

-- Eu vim do decrépito intestino do organismo que você construiu
com essas suas duas mãos
dizer que essa que você agora viu
é a cara do seu coração

E penetrou na escuridão anil

2 comentários:

  1. De baixo da terra vem um ser, lhe dar lições, que mais são reclamações. O método criativo foi ruim, e inacabado. Um fracasso, definido como a materialização de uma subjetividade doentia, que cria organismos podres? E depois de dizer isso, o homem some. Essa desintegração é a morte. E parece que não há paraíso após. Fala-se com Deus, ou Deus fala de si.

    Eu sei que deve haver algo por trás dessa superfície, que capto pela paráfrase. Mas ela, a paráfrase, não me permite ir mais fundo; pra mim falta algum ponto cardeal. Fica uma leitura pela metade, ou pelo meio do caminho. O que se esconde por trás das suas palavras?

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  2. "Um fracasso, definido como a materialização de uma subjetividade doentia, que cria organismos podres?", sim. Essa materialização dialoga com o "construtor" do mundo, que está no seu "paraíso".
    Se eu tornasse a leitura completa, mataria a poesia que acreditei estar contida no texto.

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