3.4.13

Chamado

E na sombra da noite contemplativa
os cães já sabiam
Uivaram e ganiram luas e luas
chamando os homens nas ruas
invocando coisa viva
Mas os homens dormiram
acostumados com a matilha
E quando acordaram
não havia dia

Não havia dia porque...
porque acordaram assustados
no meio da animosidade noturna
Ufa!, não era o fim do mundo
era só outro pesadelo
Mas ainda intrigados
na dura sombra cativa
os cães imploravam a vida...

Então o Sol iluminou as ruínas

E o dia aconteceu
contruindo mais ruínas
perturbando o sono dos gatos
que à noite intrigariam os cães
E o dia esperneou
nas filas satânicas dos bancos
perturbando o sono dos homens
e à noite chorariam as mães
E a tarde chegou
exalando preguiça nos cantos
perdendo a hora do ocaso
que traria o sossego dos sábios

Mas a tarde desabou
pesada e cansada da vida
e esperava inerte a sorte adormecida
que despertaria tranquila
na sua trilha perfeita e perdida
longe do errante caminho iluminado

E então os sábios levantariam
das suas macias covas discretas
e no novoeiro que se achegava
e protegia as almas apuradas
deixariam suas portas abertas
para saudar o final do descaso
que faz ganir a vida enraivecida

E junto com os cães desesperados
e também com os gatos suicidas
das sombras secretas das ruínas
na frente da fronteira abissal
anunciariam a eterna madrugada
que vem da vaga imaterial

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