3.4.13

Diversão

Um dia
quis ser escritor
Preferia poesia
E o tempo passou

Outro dia
queria ser músico
Aprendi melodias...
O tempo era súbito

Mais pra frente
queria Cinema
E escrevi cenas
que o tempo desmente

Descontente, fui pra rua
E num clarão de lua cheia
lancei-me em doidas teias
E o tempo etéreo flutua

Me joguei no submundo
E dele fiz parte
Fiquei à parte
do tempo oriundo

Fugi pra estrada
em busca da noite
Estava encantada
Mas o tempo é açoite

Num último salto rolei na areia
Beijei o mar da praia nua
Caí no colo de uma sereia
Mas o tempo louco avua

Voltei para casa
e achei-a mudada
Era o tempo de estrada
É o tempo que foi

E depois de tudo
Fiquei como mudo
Como a noite calada
Triste moribundo

Pensei no futuro
Só vi o passado
Fiquei chateado
Um homem sem fundo
__________________

Então eu quis o presente
Tempo vivente e calejado
Repleto de ilusões nos atos
feitas fato dentro da gente

E agora eu sei, agora é lei!
Sem ilusões não há verdade
Toda a gente é feita de sonho
Imediato e sucessivo como a tarde
Que hora se alegra, mas hora se abate
com o mesmo som do cão que late
com o mesmo sol despencando no horizonte
com mais outra noite descendo gigante

E o segredo das ilusões é só um sonho
diferente do outro e depois mais um, medonho
que na noite macabra se transforma em mulher
que de mulher namorada vira amante
e de amante, estrela cadente
no abismo do céu

Mentira é perder-se numa só ilusão
Numa só ilusão de amante eterno
Numa só noite de bandido temido
Num só semblante de triste gemido
É passar a vida vestido do inferno
de toda a vida na mesma oração

Veja que a lua nunca fica sempre cheia

Mentira é cantar sempre a mesma canção
cansada e antiga emoção sem sangue nas veias

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