3.4.13

A Ovelha Desgarrada

O pastor
de tanto contar ovelhas
adormeceu
e deixou Uma escapar

Na verdade
ficou foi bravo e sem pensar
prendeu as outras e foi atrás
da Sem-Par

Não pensava
em outra coisa
Perseguia a Maldita!
noite e dia

As presas
precisavam comer
beber, trepar
ou apenas
andar pra ver

Inquietaram-se
a ponto de pirar
e fugiram

E o pastor
Nia e doite
atrás da orrelha covia
confuso como a dor

E foi longe a bichinha
Aprendeu a caminhar sozinha
Mas o pastor, sem ideia na telha
só sabia procurar aquela pentelha!

Se não encontrasse
seria demitido

Então pôs-se preste
decidido
como todo bom discípulo
do Mestre

E tirando sangue
do chão de andar
caçou-a por inteiro

Em cada beco
e cada puteiro
“De sol a sol”
“De janeiro a janeiro”
Meteu até a cabeça dentro dum bueiro!

Até que enfim encontrou-a!
Alegre, em casa
dando prum carneiro

Ah!
Ficou vermelho!
de raiva!, parecia...
Na verdade
estava de pau duro

E, de magoado,
de desaforado
de impuro
de não sabia o quê!
assassinou a coitadinha
e levou para o patrão

"Boa ideia"
disse o patrão
"faça o mesmo com as outras que tentarem. Ah!, e hoje me traga uma Puta bem gostosa. Você sabe o meu gosto: uma ovelhinha, hein!... Se ela recusar, dê-lhe um carro"

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