3.4.13

Informação

... e quiseram enfeitiçar os feiticeiros
Quiseram empobrecer os pobres
Tentaram escravizar os pedreiros
Caçoaram muito dos bons homens
Asfaltaram as longas estradas
Puseram no exército os marinheiros
e os libertos chamaram piratas
Ao viajante deram muitos nomes
Vagabundo, aventureiro, um errante
sem-destino, clandestino, passageiro...
E no instante de dizer as suas causas
fecharam a boca do indagante

Entretanto, em tom humilde
conduzo os fatos como um fio de cobre
a fim apenas de aos pouco nobres
anunciar que a farsa ruiu:

Porque os feiticeiros não são enfeitiçáveis
Porque os pobres descobriram soluções
Porque só os pedreiros podem erguer as casas
onde moram os mais sujos fanfarrões
Porque os bons homens aprenderam a dançar
nos passos virtuosos do satanás
e no balanço compassivo das religiões
Porque as estradas perdidas e misteriosas
continuam sem asfalto e perigosas
E o maior dos lobos marinheiros
nunca será na vida um militar
Será aquele que visitou os anciões
e que aprendeu verdades com os ladrões
nas últimas ilhas do fim do Mar
Vagamundo, portanto, um sem-lar!
Clandestino, um errante arruaceiro
Como o viajante na terra-sem-lei
- onde a sorte selou o seu Carma -
que ao voltar ensinou o próprio Rei

E quando o farsante apontou a sua arma
disseram "Desculpe, Senhor, eu errei!"
e em segredo já sabiam que a farsa
é o desastroso sofrimento do Ser

E satisfeitos desertaram dessa Barca
do futuro do passado do Amém
daquela náufraga Arca furada
que tantos farsantes trouxe pra gente...

E serenos, saltitantes ou sem-graça
com a graça da Noite e do Amanhecer
Fizeram do Instante a dura carcaça
que envolve a eterna razão de Viver

...

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