3.4.13

Wallyson

Hoje no meu caminho
vi mulheres bonitas e corpos deformados
Nadei no mar de água e de petróleo
Vi o céu azul e o rosto pálido
Vi uma donzela dando à luz num velório

Hoje, no meu caminho,
Dei muita risada e vi muita tristeza
Os olhos daquela criança
não me saem da cabeça
senti arrepios de ponta de lança

Hoje, no meio do meu caminho,
topei com o cadáver de uma velha ideia
Eram os restos mortais de um sanduíche
arremessado pela janela do automóvel
que um louco tentava juntar
com um sorriso na boca
e lágrimas nos olhos

Voltando para casa tendo comigo
do outro lado avistei um amigo
mas estranhamente não estava lá
Procurei dentro da sua pele, dos olhos
mas encontrei apenas carne e ossos
e um espírito vagando em outro lugar

Bom, agora que cheguei em casa
não há como esconder de vocês
o que vi nos lugares por onde andei
Eu mesmo mudei os meus passos
estão mais firmes e largos
e aonde não já mais vão sei
... e quando descubro, tropeço
É um tal de quem me esqueço
... de quem há muito eu me despeço
Nem a mim mesmo mais mereço
saí pra ver e era outro no regresso...

Wallyson, onde está você?

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