3.4.13

De repente, não mais que...

Tive um dia maravilhoso!
As ideias brilhavam
As mulheres cantavam
Soprava um ventinho gostoso!

Andei pelas luas
conheci uma Dama
E um pretendente a meu Amigo!

Decidi pela piedade que clama!
e tirei do caldo da rua um mendigo
Dei-lhe comida e ofereci abrigo
Já se via na sua boca o sorriso
da sorte nascida da lama

Começo da tarde, andei pensativo
... coisas que logo perderam a voz
Mas fiz os deveres meditativo
uma coisa de cada vez
até estar em plena paz de espírito
Sentia-me leve como plana o albatroz
Senti enfim que não pensava em mais nada

Findei o trabalho e fui embora pra casa
no pôr do sol de outono na calçada
Perdoaria até o meu pior algoz
nessa hora gentil e iluminada!
O mundo parecia inesperadamente belo
tão longe da morte e do perigo

Eis então que fez-se o elo!
O encontro das águas no sertão do infinito
Obra de arte a sair do prelo

Na travessia da última rua
já no nascimento da terceira lua
com os olhos serenos e tranquilos
vi o encontro do Céu e do Inferno

Foi um ônibus que estraçalhou um velho

Um comentário:

  1. Quem sabe eu linko esse como pensamento para sexta-feira no meu blog. O final do poema parece uma lâmina cortando um dia maravilhoso. Ou algo assim.

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