3.4.13

Outono

É isso, senhores, acabou. Obrigado por terem chegado até o fim. A partir de agora eu não estarei mais no mesmo lugar. Há uma sombra na luz refletida. Eu estarei lá, brincando de várias formas. Vocês podem vir me visitar. Vocês, senhores. Eu estarei aqui, mexendo a mão, o pé, contraindo e descontraindo substâncias, ouvindo alguma música. A travessia terminou. O abismo caiu. Vocês estão vestidos? A polícia passou devagarinho na rua, deu até pra aranha ouvir os cupins comendo a madeira do batente de uma porta aqui de casa. Ando sonhando com astros enormes no céu. Foi a polícia, não estou louco, só suspeito. Aprendi. Agora o futuro está passando. E eu? Ah, eu espreguicei, agora mesmo. Que cheiro de rosa! Tem rosa na hóstia? Ingredientes: será que a Vítima, o Inimigo e o Estrangeiro não são o mesmo hóspede? Ó Vítima, sentes o cheiro do veneno? Devoras qual uma alma canibal cega de fome o corpo do teu Cristinho querido, ofertado pelo Diabo! Sei porque agora soul, e a minha cama está ompleta. Estive na Santa Cecília outro dia, e vi uns ratinhos brigando por guardanapos. Que bocetinha macia e cheirosa a da santa... Será? Passarinho de roldana de construção, embala a eternidade do meu cadáver. Cada verruga que me aparece, santa Deusa! Senhamos francos, sejores, precisava trocar tudo por uma ilha, um revólver? Essa cinturinha que não requebra... mas morre de vontade! Quando requebrar a rosa rosa hostil vai torcer a espinha. O brasil está assando preto. Copa de árvore no topo do mundo. De árvore no topo e copo de cerveja eu sei falar, vales, relvas e cobranças, contrato, extrato, coração... Ó pobre coração, interferências cardíacas de milênios de batimentos por vida. Vem, cientista, vem dançar na pista! Hoje, depois de a minha amiga receber um ex-lutador de boxe, recebemos, eu e ela, um camarada que veio buscar os seus livros e que se movimenta no sentido dos que se movimentam pelas terras devidas aos que as perderam, assaltados pelo galã do Mal da ignorância, mais sinônimo de Igreja do que sim é sinônimo de sim. Mim, mim, mim, mim ar, mi mar, mimar nas marolas do coração toda essa confusão. Chega, paixão, não vamos mais brigar, agora somos eu, você, as fêmeas, os caralhos e o Mar! Oh! Que ondas deliciosas! E que estrelas. Aos inimigos digo: estou em cada estrada de cada estrela, em cada luvem e na Nua, podem olhar pro Céu e me procurar, eu estarei lá, assombrando os seus fantasmas perplexos. Vão todos de volta pra dentro das suas masmorras, porque eu estou cansado dessas suas reminiscências batendo na minha porta e atormentando a minha criança. E além do mais, estou também meio cansado destes versos de verão. Venha um friozinho e conserve o meu coração... no lugar e no tempo com que agora sou presenteado.

nota do entretempo

2 comentários:

  1. Li.

    Interpreto coisas. Tipo: Aos amigos digo: estou em cada estrada de cada estrela.

    Sei lá, estrada e estrela tem mais a ver com amigos...

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  2. Entendi, faz sentido. Mas se você pensar que as estradas, as estrelas, a lua, assombram os fantasmas, que são as projeções de pessoas que "criam" fantasmas, fica entendido que é um lugar para amigos e que confronta os inimigos. "Para que meus inimigos tenham mãos, e não me toquem".

    Brigado pelos comentários, sempre me fazem pensar e por vezes ver coisas que eu não tinha visto!

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